Água com gás faz mal ou bem à saúde?

O que é a água com gás?

A água com gás (ou água gaseificada) é criada (ou existe naturalmente) através da dissolução de dióxido de carbono (CO2) em água. Este processo cria o ácido carbónico.

Existe uma preocupação geral de que as águas com gás têm alguns efeitos negativos para a saúde como, por exemplo, o enfraquecimento dos ossos e a corrosão do tecido de revestimento do estômago. Mas será que a pequena quantidade de CO2 numa garrafa de água com gás é suficiente para nos prejudicar? O que dizem os estudos?

Água com gás e densidade óssea

Um estudo publicado em 2005 no British Journal of Nutrition não encontrou uma associação inversamente proporcional entre o consumo de água gaseificada e a remodelação óssea (processo responsável pela construção e reparação do tecido ósseo) [*1]. Neste estudo, 18 mulheres consumiram diariamente e durante 8 semanas 1 litro de água gaseificada.

Água com gás e perda de cálcio

Uma das acusações feitas ao consumo de águas gaseificadas é de que elas promovem a perda de cálcio através da urina. Um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition trouxe alguma luz sobre esta matéria. Neste estudo, mulheres entre os 20 e os 40 anos de idade consumiram diariamente 680ml de uma bebida gaseificada: 2 continham cafeína e 2 não.

Os investigadores descobriram que apenas as bebidas gaseificadas com cafeína promoveram a excreção de cálcio pela urina [*2].

As bebidas gaseificadas promovem o desconforto intestinal?

Existem também estudos publicados que analisaram a questão do consumo de águas gaseificadas e o seu efeito no esvaziamento gástrico e conforto intestinal. É o caso de um estudo publicado no International Journal of Sports Nutrition, realizado com ciclistas que consumiram ou uma bebida não gaseificada ou uma bebida gaseificada.

Não foram encontradas diferenças a nível de índice de esvaziamento gástrico, conforto intestinal e nível de acidez entre um e outro grupo, levando os cientistas a concluir que uma bebida desportiva gaseificada não prejudica o rendimento desportivo [*3].

Existem alguns estudos científicos que demonstram que as águas minerais gasocarbónicas, devido ao seu elevado teor de bicarbonato, propiciam a diminuição da distensão abdominal [*4], [*5]. Nota: o primeiro dos estudos citados foi financiado por uma marca de água com gás.

Por outro lado, águas ricas em bicarbonato têm sido utilizadas para dissolução de pedras renais [*6], [*7].

Outro benefício já associado ao consumo de água gaseificada é a sua propriedade de reduzir o risco de doenças cardiovasculares em mulheres na fase após a menopausa [*8].

Corrosão do esmalte dos dentes

Existe também alguma preocupação relativamente à potencialidade da água com gás promover a erosão do esmalte dos dentes devido à sua acidez. Contudo, um estudo publicado em 2001 no Journal of Oral Rehabilitation mostrou que, apesar de as águas minerais possuírem um ligeiro maior potencial corrosivo, esse potencial é considerado baixo e 100 vezes menor do que o verificado nos refrigerantes [*9]. Ou seja, beber refrigerantes é muito pior.

Alertas

Apesar de tudo, o consumo excessivo de água gaseificada (por exemplo, se a beber como bebe água de mesa) pode agravar o síndrome do intestino irritável, devido ao CO2, que pode causar inchaço e flatulência. Se verificar este tipo de problemas, páre ou diminua o consumo.

Há bebidas gaseificadas que possuem um valor extra de sódio para diminuir a acidez e melhorar o sabor. Se você estiver numa dieta baixa em sódio preste atenção aos rótulos das bebidas gaseificadas.

A água com gás engorda?

Não, ela não faz engordar pois não possui calorias. Há quem confunda águas gaseificadas com refrigerantes. Não são a mesma coisa. Os refrigerantes contêm muitas calorias, as águas não. O que faz engordar são as calorias e não o gás contido na bebida.

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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – Schoppen, S. et. al., Bone remodelling is not affected by consumption of a sodium-rich carbonated mineral water in healthy postmenopausal women, British Journal of Nutrition 93(3):339-44, Março 2005 (LINK)
[*2] – Heaney, R. & Rafferty, K., Carbonated beverages and urinary calcium excretion., American Journal of Clinical Nutrition 74(3):343-7, Setembro 2001 (LINK)
[*3]The effects of a carbonated carbohydrate drink on gastric emptying, gastrointestinal distress, and exercise performance, International Journalf of Sports Nutrition 2(3):239-50, Setembro 1992 (LINK)
[*4] – Bertoni, M. et. al., Effects of a bicarbonate-alkaline mineral water on gastric functions and functional dyspepsia: a preclinical and clinical study, Pharmacol Research 46(6):525-31, Dezembro 2002 (LINK)
[*5] – Gasbarrini, G. et. al., Evaluation of thermal water in patients with functional dyspepsia and irritable bowel syndrome accompanying constipation, World J Gastroenterology 28;12(16):2556-62, Abril 2006 (LINK)
[*6] – Coen, G. et. al., Urinary composition and lithogenic risk in normal subjects following oligomineral versus bicarbonate-alkaline high calcium mineral water intake, Urology International 67(1):49-53, 2001 (LINK)
[*7] – Trinchieri, A. & Esposito, N. & Castelnuovo, C., Dissolution of radiolucent renal stones by oral alkalinization with potassium citrate/potassium bicarbonate, Arch Ital Urol Androl. 81(3):188-91, Setembro 2009 (LINK)
[*8] – Schoppen, S. et. al., A sodium-rich carbonated mineral water reduces cardiovascular risk in postmenopausal women, Journal of Nutrition 134(5):1058-63, Maio 2004 (LINK)
[*9] – Parry, J. et. al., Investigation of mineral waters and soft drinks in relation to dental erosion, Journal of Oral Rehabilitation 28(8):766-72, Agosto 2001 (LINK)
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