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Nutrição em Destaque (Junho 2010) – Desporto

12 de Julho de 2010

Nutrição em Destaque é a crónica mensal do Logon onde são destacados os estudos mais significativos publicados nos jornais científicos dedicados à Nutrição Desportiva e Ciências do Desporto.

Estes são os destaques de Junho de 2010 na área do Desporto e exercício físico:
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1) Força muscular é importante para a velocidade de remate dos jogadores de andebol.

Uma equipa de investigadores avaliou a relação entre a potência do remate dos jogadores de andebol e a força dos seus membros inferiores e superiores. Quatorze jovens jogadores de andebol desempenharam vários testes e exercícios que focavam o trabalho dos músculos inferiores e superiores. Um destes exercícios consistia em correr 3 passos e rematar a bola. A velocidade do remate foi medida em ambos os grupos.

Os cientistas encontraram uma relação entre a potência e velocidade do remate e a força muscular dos braços e pernas. Eis a sua sugestão aos treinadores e praticantes de andebol: “Os nossos resultados realçam a contribuição dos membros inferiores e dos superiores para a velocidade do remate, salientando a necessidade dos treinadores incluírem nos treinos programas de fortalecimento da força destes membros, de maneira a melhorar a velocidade de remate dos seus jogadores“.

*Chelly, M. & Hermassi, S. & Shephard, R., Relationships between power and strength of the upper and lower limb muscles and throwing velocity in male handball players, The Journal of Strength and Conditioning Research 24(6): 1480-1487, Junho 2010 (LINK)
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2) Elíptica constitui uma alternativa aceitável à passadeira.

A passadeira e a máquina elíptica são duas máquinas de cardio muito populares presentes em todos os ginásios. Uma equipa de investigadores decidiu avaliar o consumo de oxigénio, gasto de energia e ritmo cardíaco proporcionados por estes 2 equipamentos.

Nove jovens do sexo masculino e nove jovens do sexo feminino desempenharam 2 sessões de treino de 15 minutos, em alturas separadas, na passadeira e na elíptica. O volume máximo de oxigénio (VO2max) dos voluntários foi medido antes do treino. Os cientistas não registaram diferenças no VO2max entre aqueles que treinaram na passadeira e os que treinaram na elíptica. Da mesma forma, também não houve diferenças no nível de esforço percebido e no gasto de energia. O ritmo cardíaco foi ligeiramente maior nos voluntários que praticaram na elíptica (16 batidas/min) do que os que correram na passadeira (15 batidas/min).

Perante estes resultados, os cientistas concluíram que a máquina elíptica é um alternativa aceitável à passadeira.

*Brown, G. & et. al, Comparison of energy expenditure on a treadmill vs. an elliptical device at a self-selected exercise intensity, The Journal of Strength and Conditioning Research 24(6): 1643-1649, Junho 2010 (LINK)
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3) Para optimizar os ganhos de força e endurance não treine até à exaustão.

Muitos praticantes de musculação acreditam que obterão maiores ganhos de força e massa muscular se treinarem até o corpo não poder mais. Muitos treinam até ao ponto de vomitarem depois da sessão no ginásio. Como o corpo compensa cada vez que recupera das microlesões das fibras musculares originadas pelo treino, os praticantes de musculação acreditam que um maior “estrago” originará uma maior compensação. No entanto, uma nova investigação veio contestar este pensamento.

Quarenta e três praticantes masculinos de remo foram distribuídos por 3 grupos, que desempenharam os mesmos exercícios de endurance mas com métodos de treino diferentes: o grupo dos 4 exercícios com exaustão do músculo (4ECEM), o dos 4 exercícios sem exaustão do músculo (4ESEM), o dos 2 exercícios sem exaustão do músculo (2ESEM) e o grupo de controlo (GC). O período de treino durou 8 semanas.

Resultados: Os atletas do grupo 4ESEM registaram um maior ganho de força no bench pull (4,6%) em relação aos do grupo do 4ECEM (2,1%) e do 2ESEM (0,6%). No exercício que consistia em 10 puxadas na máquina de remo com máxima intensidade, os ganhos registados foram o seguintes: 4ESEM (3,6%), 2ESEM (5%) e 4ECEM (-0,1%). No exercício que consistia em 20 minutos de treino na máquina de remo, a evolução registada a nível de força foi a seguinte: 4ESEM (7,6%), 2ESEM (9%) e 4ECEM (4,6%)

Conclusão: os atletas podem retirar do seu treino maiores ganhos de força explosiva e massa muscular caso não executem os exercícios até à falha do músculo.

*Gabarren, I. et. al, Concurrent Endurance and Strength Training Not to Failure Optimizes Performance Gains, Medicine & Science in Sports & Exercise Vol. 42 – Issue 6, págs. 1191-1199, Junho 2010 (LINK)
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4) Treino de músculos respiratórios contribui para aumento da performance desportiva.

Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Indiana mostrou que o fortalecimento dos músculos respiratórios pode contribuir para a melhoria do desempenho na prática desportiva. Como é que isto acontece? Os músculos necessitam de oxigénio para produzir energia. Segundo a investigadora Louise Turner, os músculos envolvidos com a respiração utilizam 10 a 15% do volume total de oxigénio. O fortalecimento destes músculos faz com que eles recrutem menos oxigénio, deixando-o disponível para ser aproveitado por outros músculos do corpo.

Qual a ciência por detrás disto? Dezasseis ciclistas com idades compreendidas entre os 18 e os 40 anos foram divididos em 2 grupos. Os atletas de um dos grupos tiveram de inspirar diariamente 30 vezes com um aparelho respiratório que oferecia um determinado grau de resistência, fazendo com que fosse preciso puxar mais pelos músculos respiratórios. Os atletas do outro grupo executaram o mesmo procedimento mas sem a resistência imposta ao outro grupo. Os exercícios duraram 6 semanas.

Após as 6 semanas, os cientistas voltaram a avaliar a capacidade respiratória de todos os atletas e constataram que os músculos respiratórios daqueles que foram sujeitos a uma maior resistência recrutavam entre 1% a 4% menos quantidade de oxigénio. Os cientistas afirmaram que isto permite que o oxigénio seja recrutado por outros músculos envolvidos na actividade física, melhorando, desta forma, a performance do atleta.

*Inspiratory Muscle Training and Endurance Sport Performance, ScienceDaily, Junho 2010 (LINK)
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5) Massagem pós-competição prejudica remoção de lactato.

Um dos procedimentos usados por alguns clubes para recuperar os seus jogadores são as massagens pós-competição. Acredita-se que a massagem após a competição ajuda a aumentar o fluxo sanguíneo e, consequentemente, a remover o ácido láctico, responsável pelas dores musculares e cãibras. Um estudo científico testou esta hipótese.

Doze atletas desempenharam um intenso handgrip durante 2 minutos. Os níveis de fluxo sanguíneo e de concentração de lactato no sangue foram medidos a cada 10 minutos após o exercício. Os cientistas constataram que os atletas que recebera uma massagem após o treino apresentaram níveis mais baixos nas características medidas.

A conclusão foi a seguinte: “A massagem prejudica a eliminação de lactato após intensa actividade física ao impedir o fluxo sanguíneo“.

*Wiltshire, E. et. al, Massage Impairs Postexercise Muscle Blood Flow and “Lactic Acid” Removal, Medicine & Science in Sports & Exercise Vol. 42 – Issue 6, págs. 1062-1071, Junho 210 (LINK)
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Outros destaques:

6) Ao contrário do que outros estudos demonstraram, alongamentos estáticos não prejudicam desempenho aeróbico.

*Lopes, S. et. al., Is acute static stretching able to reduce the time to exhaustion at power output corresponding to maximal oxygen uptake?, The Journal of Strength and Conditioning Research 24(6): 1650-1656, Junho 2010 (LINK)

7) Exercícios que trabalhem a anca são eficazes na redução e eliminação das dores do joelho.

*Hip Exercises Found Effective at Reducing, Eliminating Common Knee Pain in Runners, Study Suggests, ScienceDaily, Junho 2010 (LINK)

8 ) Estudo mostra que pessoas idosas têm a capacidade de aumentar a resistência ao mesmo nível que os jovens.

*Ciolac, E. & Garcez-Leme, L. & Greve, J., Resistance Exercise Intensity Progression in Older Men, International Journal of Sports Medicine 31(6): 433-438, Junho 2010 (LINK)

9) Começar a praticar exercício físico na infância ajuda ao desenvolvimento de ossos saudáveis.

*Kathleen, J. et al, Early Physical Activity Provides Sustained Bone Health Benefits Later in Childhood, Medicine & Science in Sports & Exercise Vol. 42 – Issue 6, págs. 1072-1078, Junho 2010 (LINK)


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