Archive for the ‘Golfe’ Category

Como evitar lesões no golfe

12 de Março de 2010

As estimativas apontam para cerca de 7 milhões o número de praticantes de golfe na Europa. No golfe, lidamos com gestos técnicos muito exigentes para o corpo, pelo que o jogador deve gozar de um acompanhamento a nível de treino e nutrição por profissionais certificados na área. As zonas do corpo mais propensas a sofrer lesões são as mãos, os cotovelos, os ombros, os joelhos e a coluna lombar.

De acordo com referências bibliográficas [*1] [*2] [*3], existe uma incidência e prevalência de lesões na modalidade do golfe, ainda que nem sempre reconhecidas quando comparadas a desportos mais violentos e disputados, como o futebol.

Impacto: propício a lombalgias

De uma forma geral, sabemos que as lombalgias são as queixas músculo-esqueléticas mais frequentes. Sabemos, também, que a maioria destas lesões acontece na altura do impacto.

Segundo a investigação conduzida por Davis Lindsay em 2008, na altura do impacto com a bola as forças de compressão na zona lombar situam-se na ordem dos 6100 N (610 kg) em jogadores amadores e em cerca de 7584 N (758 kg) em jogadores profissionais, uma grandeza que equivale a 6 a 8 vezes o peso corporal [*4].

Para que tenhamos uma noção mais exacta do que isto significa, algumas organizações americanas que se debruçam sobre este assunto assumem que os valores a partir dos quais as compressões se tornam perigosas para a saúde rondam os 3400 N (340 kg). Portanto, estamos a falar de valores duas vezes mais elevados.

Swing – Movimentos perigosos para a zona lombar

Os movimentos mais críticos para a saúde da zona lombar descritos na bibliografia são a flexão do tronco (dobrar para a frente) com rotação do mesmo, exactamente aqueles que entram na execução do swing [*5]. Assim, podemos dizer, que estamos na presença de um movimento perigosamente exigente para a coluna lombar.

Este tem sido um tema relevante para os investigadores. Segundo o estudo conduzido por Sugaya et. al., as lombalgias são responsáveis, em cerca de 55% dos casos, por jogar ou não jogar nas melhores condições [*6]. Segundo os investigadores McCaroll [*7] e Vad et. al. [*8], as lesões na zona lombar representam a queixa músculo-esquelética mais comum em praticantes de golfe, tanto amadores como profissionais, atingindo um valor de 15 a 34% do total das lesões na modalidade.

Minimize o impacto das lombalgias

Ficam aqui alguns conselhos para que possa reduzir o risco de contrair lesões.

- Faça sempre um bom aquecimento;

- Siga um treino específico de força, prescrito por profissionais certificados;

- Jogue com material adequado à sua estrutura morfológica;

- Tenha atenção à superfície em que treina (maior impacto em tapetes).

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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – McHardy, A., Pollard, H. & Luo, K., One-Year Follow-up Study on Golf Injuries in Australian Amateur Golfers, The American Journal of Sports Medicine Vol. 35 Nº 8 – 1354-1360, Agosto 2007 (LINK)
[*2] – Fradkin, A.J., Cameron, P.A. & Gabbe, B.J., Golf injuries–common and potentially avoidable, Journal of the Sports Science and Medicine 8(2):163-70, Junho 2005 (LINK)
[*3] – McHardy, A. & Pollar, H., Lower back pain in golfers: a review of the literature, Journal of Chiropratic Medicine 4(3): 135–143, 2005 (LINK)
[*4] – David, L., Injury Prevention: Avoiding One of Golf’s More Painful Hazards, International Journal of Sports Science & Coaching Vol. 4 – Suplemento 1, págs. 129-148(20), Setembro 2009 (LINK)
[*5] – Swing é o nome dado ao movimento completo de rotação do corpo durante o qual o taco descreve um arco, culminando com a batida na bola. É um movimento potencialmente perigoso para a coluna lombar.
[*6] – Sugaya H. et. al., Low-back injury in elite and professional golfers: an epidemiologic and radiographic study In Farrally M.R., Cochran A.J., (editores): Science and golf III: proceedings of the World Scientific Congress of Golf. Human Kinetics; Champaign, IL: 1999. págs. 83–91
[*7] – McCarroll, J.R., The frequency of golf injuries, Clinics in Sports Medicine 15(1):1-7, Janeiro 1996 (LINK)
[*8] – Vad, V.B. et. al., Low Back Pain in Professional Golfers: The Role of Associated Hip and Low Back Range-of-Motion Deficits, The American Journal of Sports Medicine Vol. 32 Nº 2 – 494-497, Março 2004 (LINK)
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Modificado a partir do artigo “Swing: prepare a coluna lombar” da revista Performance nº 88 de Abril de 2009


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Nutrição adequada a praticantes de golfe

15 de Janeiro de 2010

Muitos golfistas não estão bem informados quanto às características e especificidades da modalidade. Como muitos deles são amadores e apenas praticam golfe ao fim-de-semana ou nos feriados, não têm conhecimento nem sobre os cuidados a ter nem sobre a alimentação adequada à prática da modalidade.

Se para si o golfe for apenas uma “actividade de fim-de-semana”, a parte da nutrição se calhar não afectará muito o seu jogo. Pelo contrário, se está em competição e as vitórias realmente são importantes para si, a componente da nutrição é indispensável ao seu conhecimento. Muitos golfistas desconhecem que a hidratação é super importante para a saúde do atleta.

Um jogo de golfe pode durar até 5 horas, daí a necessidade de beber água regularmente. No entanto, a partir das 3 horas de competição, o consumo apenas de água passa a não ser suficiente para uma hidratação eficaz. Há atletas que consomem álcool e cafeína durante os torneios, mas isso também não é aconselhado uma vez que estes produtos são potentes diuréticos (estimulam a excreção urinária), acabando por contribuir para a desidratação.

As necessidades nutricionais de praticantes de golfe

Em Junho de 2008, um investigador da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Vigo, em Espanha, e um investigador da Universidade Lusófona do Porto, em Portugal, publicaram um trabalho que avaliava os hábitos alimentares dos jogadores seniores de golfe [*1].

Os investigadores caracterizaram os hábitos alimentares de 160 jogadores, de idade média de 58 anos, em 45 campos de golfe. Os jogadores foram avaliados momentos antes da competição e foram determinadas variáveis como o peso, a estatura e a envergadura. Foram também aplicados cardiofrequênciometros durante a volta.

Algumas das coisas que concluíram:

- Os glícidos são um nutriente primordial para os jogadores, devendo estar presente em quantidades significativas na sua dieta alimentar (5-12g/kg/d).

- A nível proteico, os jogadores não necessitam de aumentar o seu consumo nos dias de competição, uma vez que os seus hábitos alimentares já superam as recomendações (1,2 a 1,4/7 g/kg/d).

- Relativamente aos lípidos, devem apresentar uma contribuição de cerca 20 a 25% da energia ingerida.

- A alimentação no dia da competição deve apresentar especificidades nutricionais, nomeadamente a nível de glícidos e fluidos visando beneficiar o desempenho e a recuperação dos jogadores.

- A ingestão nutricional durante o exercício físico promove a melhoria da performance uma vez que reduz o stress dos sistemas cardiovascular, muscular e nervoso.

- A superfície corporal e a actividade física de um indivíduo determinam as suas necessidades calóricas reais. A massa magra corporal, a taxa metabólica em repouso e a actividade física diminuem com o aumento da idade, pelo que os jogadores seniores deverão reduzir a ingestão calórica, para compensar estas alterações, tendo em atenção que as necessidades dos nutrientes essenciais não diminuem com a idade.

Os investigadores também notaram que a maioria dos jogadores analisados ingeria as quantidades necessárias de vitaminas e minerais, para assegurar as exigências energéticas, através de uma alimentação equilibrada, não precisando de recorrer muito à suplementação. Talvez isto se deva ao facto de os atletas analisados terem todos mais de 50 anos, não estando, à partida, tão expostos ao stress e à azáfama do quotidiano, o que permite controlarem melhor a sua alimentação.

Recordando:

- Hidratos de Carbono (glícidos)
- Proteína
- Lípidos
- Minerais
- Vitaminas
- Água
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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – Ferreira de Brito, A.P., & Pereira, R.G., Golfe: os hábitos alimentares dos jogadores seniores, Motricidade Vol.4 – Nº2, Junho 2008 (LINK)


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