Archive for the ‘Alimentação’ Category

É preciso cuidado com o colesterol da gema do ovo?

21 de Maio de 2012

É habitual as pessoas com colesterol alto serem aconselhadas a limitar o seu consumo de ovos, na medida em que esses são bastante ricos em colesterol. No entanto, os estudos realizados demonstram que os ovos não perturbam os níveis de lípidos sanguíneos nem estão na origem de doenças cardio-vasculares. Antes pelo contrário, são ricos em vitaminas, oligoelementos, proteínas, etc.

Nutrição do ovo: Gema vs. Clara

É uma verdade: a gema do ovo está realmente cheia de colesterol. A subtileza encontra-se no facto de, tal como a maioria dos alimentos ricos em colesterol, ser igualmente uma rica fonte de nutrientes importantes, especialmente em vitaminas lipossolúveis e ácidos gordos essenciais.

Para terem uma noção, podem dar uma vista olhos à tabela seguinte, elaborada pelo site musculacao-pt, com base nos dados da USDA Nutrient Database for Standard Reference, Release 15.

Benefícios da gema

Como podemos ver na tabela anterior, a gema de ovo contém mais de 90% de cálcio, ferro, fósforo, zinco, tiamina, B6, ácido fólico e B12, e 89% de ácido pantotênico. Melhor ainda, a gema contém ainda 100% dos carotenóides, ácidos gordos essenciais, vitaminas A, E, D e K de que o nosso corpo precisa.

Por outro lado, a gema do ovo contém ómega-3 DHA (necessário para o bom funcionamento do cérebro e da retina dos olhos), e ómega-6, cujos benefícios se prendem, por exemplo, com o crescimento, a libido, pele e cabelo saudáveis, ou ainda no tratamento de lesões.

A gema do ovo e o colesterol

Continuamente, é-nos incutida a ideia de que comer alimentos ricos em colesterol, como o ovo, poderia aumentar os riscos de ataques cardíacos ou de Aterosclerose. Muitos desses avisos baseiam-se no facto das gemas dos ovos serem uma importante fonte dietética de colesterol. Mas se um ovo grande contém cerca de 200mg de colesterol e 5 gramas de gordura, convém referir que cerca de metade dessa gordura é gordura insaturada.

Cientistas da Universidade de Connecticut efectuaram um estudo em idosos e pessoas de meia-idade, cujos resultados demonstravam que, ao ingerir no mínimo 3 ovos por dia, os seus corpos criavam partículas de LDL e HDL (lipoproteínas de baixa e alta densidade) maiores do que aqueles que não tinham consumido ovos nenhuns [*1].

Essa conclusão é deveras importante, na medida em que outros estudos têm sugerido que LDL’s maiores têm menos propensão para penetrar as paredes arteriais e, consequentemente, contribuir para que a sua carga de colesterol as obstrua. Da mesma maneira, HDL maiores são mais robustos para transportar o colesterol fora da corrente sanguínea e até mesmo para fora do corpo.

Ainda assim, convém frisar que o consumo de gemas de ovo não é aconselhável para quem já tenha registado episódios de doenças do coração no passado [*2].

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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – Greene, C. et. al., Plasma LDL and HDL characteristics and carotenoid content are positively influenced by egg consumption in an elderly population, Nutrition & Metabolism 3:6, Janeiro 2006 (LINK)
[*2] – Spence, D. & Jenkins, D. & Davignon, J., Dietary cholesterol and egg yolks: Not for patients at risk of vascular disease, The Canadian Journal of Cardiology 26(9): e336–e339, Novembro 2010 (LINK)


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Brócolos – um alimento nutritivamente rico

17 de Maio de 2012

Até há cerca de vinte anos atrás, os brócolos (ou brócolis) ainda eram pouco consumidos e dificilmente vinham decorar os pratos postos na mesa, na hora do jantar. Entretanto, inúmeros estudos demonstraram todos os benefícios da dieta mediterrânea (na qual os brócolos usufruem do especial relevo) e, nomeadamente, das suas propriedades preventivas contra alguns tipos de cancro. Outrora conhecido como “espargo italiano”, assumem-se actualmente como um dos alimentos com maior densidade nutricional.

Valor nutritivo

Os brócolos representam uma óptima escolha para quem faz questão de manter uma dieta saudável. Com menos de 30kcal por cada 100g, os brócolos ainda satisfazem 10% das necessidades do nosso organismo em fibra, assim como em cerca de 20% de vitamina A e folato. Como se não bastasse, ainda trazem mais de metade da vitamina C e K pela qual o nosso corpo anseia e grandes quantidades de cálcio, ferro e zinco. Pertencentes à família das crucíferas, é um alimento bastante abastado em micronutrimentos e fitoquímicos, sobrepondo-se, pela sua qualidade nutritiva, a outros vegetais como o nabo, couve-flor, couve-de-bruxelas e repolho.

Brócolos e saúde

Os brócolos são considerados como um óptimo alimento para prevenir vários tipos de cancro. Isto deve-se a todo um conjunto de glicosinolatos, indóis, carotenóides, fenóis e terpenos que este alimento possui. Pois, enquanto os glicosinolatos actuam na diminuição dos processos inflamatórios e na estimulação de mecanismos destruidores de células cancerígenas, os carotenóides, vitamina C e antocianinas entram em campo com o seu potencial antioxidante, protegendo as células de diversos tipos de danos e reforçando o sistema imunitário. Além disso, o folato permite uma certa estabilidade do nosso ADN, ao desactivar genes que poderiam ser “promotores” do cancro.

Modo de preparação

Engane-se quem pensa que utilizar bicarbonato de sódio para cozinhar brócolos é uma boa ideia. Ao tentar preservar o seu verde, está a tirar efeitos benéficos que este lhe podia trazer. Se por um lado a cozedura promove a perda dos seus valiosos fitoquímicos e vitaminas hidrossolúveis, o bicarbinato de sódio destrói também grande quantidade da vitamina C que os brócolos contêm. Por essa razão, aconselha-se uma preparação a vapor, sendo que recorrer a água fervente seria exclusivamente reservado em caso de se pensar em cozinhar uma sopa.



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Comer laranja à noite faz mal?

7 de Maio de 2012

Não se sabe bem como nasceu este mito. Segundo o que contam alguns dietistas, a origem dessa crença prende-se com a nossa história. Os nossos antepassados, nomeadamente os mais pobres, aproveitavam a noite para roubar laranjas nos campos vizinhos.

Para dissuadir os ‘ladrões’, começou-se a espalhar esse mito de que comer laranjas à noite seria mau para o nosso organismo, mito esse que foi perpetuado ao longo dos tempos pelo provérbio: “De manhã é ouro, à tarde prata e à noite mata”. No entanto, a crença comum de que o efeito da laranja pode variar de acordo com a hora em que é ingerida não tem qualquer fundamento científico.

A laranja faz bem a qualquer hora, a não ser que haja algum tipo de intolerância e, nesse caso, prejudica a qualquer hora.

Alegado culpado: a vitamina C

A ideia de que comer uma laranja à noite prejudica o sono ou pode trazer qualquer efeito nocivo é tão comum que, provavelmente, a maioria de nós, em criança, terá ouvido que comer fruta à noite «faz mal». Um dos argumentos para explicar tal crença é a vitamina C que a laranja contém.

Apesar de ser verdade que a laranja contém vitamina C, ela não contém uma quantidade suficiente dessa vitamina para influenciar minimamente o sistema nervoso. Assim, tanto não impede de dormir como também não é susceptível de acordar quem quer que seja. É uma questão de lógica: se não é capaz de agir no organismo para estimulá-lo, também não consegue agir para acordá-lo. Seria necessário ingerir uma quantidade consequente de laranjas para realmente originar um qualquer efeito no nosso organismo.

Algumas pessoas evitam comer laranjas durante o jantar por terem receio de que a vitamina que essa fruta contém seja prejudicial a uma noite de sono tranquilo e reparador.

A vitamina C tem uma reputação antiga de estimulante e seria culpada por provocar insónias. No entanto, tal não se verifica. Nada nos permite afirmar que a vitamina C perturba a actividade cerebral enquanto se dorme.

Na sua edição nº58, a revista Prescrire refere um estudo realizado com 18 voluntários perfeitamente sãos analisou as variações físicas e psicológicas de 4 gramas de vitamina C ou de um placebo. Nenhuma modificação dos ciclos ou da regulação do sono foi encontrada nos que consumiram vitamina C. Da mesma maneira, nenhum distúrbio funcional foi verificado na hora do acordar.

Outro estudo realizado em 1975 com 54 voluntários, estudantes de medicina em Estrasburgo, comparou o efeito do secobarbital (um fármaco utilizado em medicamentos sedativos para tratamento da insónia) , da vitamina C e de um placebo no sono: 1 grama de vitamina C na hora do deitar não teve nenhum efeito estatisticamente significativo no sono [*1]. As doses dadas nessas experiências (4 gramas de vitamina C) são o equivalente a 10kg de laranjas ou toranjas.

Portanto: estejam descansados!

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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – Kerxhall JS., Vogel W., Broverman DM., Klaiber EL., Effect of ascorbic acid on the human electroencephalogram, J Nutr. 1975 Oct;105 (10):1356-8. (LINK)


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Batata doce – o alimento do praticante de musculação

2 de Abril de 2012

A batata doce é um dos alimentos fonte de hidratos de carbono preferidos pelos praticantes de musculação, tendo particular relevância para a fase de pré-treino.

O sucesso da batata doce deve-se em grande parte ao seu índice glicémico, que é considerado baixo comparativamente com alimentos como o arroz ou o pão. Isto faz com que se torne ideal para atletas de alta competição.

Para além do seu favorável índice glicémico, a batata doce contém um alto teor de vitamina A, B e sais minerais como cálcio, ferro, potássio e fósforo.

Batata doce contém nutrientes antioxidantes

A batata doce contém uma maior proporção de beta-carotenos do que as verduras, cuja biodisponibilidade é notória. Isto faz com que a batata doce tenha propriedades antioxidantes de grande relevo.

Um estudo recente demonstrou que, ao passarem pelo aparelho digestivo, a cianidina e a peonidina contidas na batata doce têm capacidade de reduzir o risco de saúde causado por radicais oxigénios [*1].

Benefícios anti-inflamatórios e para os níveis de açúcar no sangue

Em estudos com animais, foi verificada reduzida inflamação nos tecidos cerebrais e nos nervos corporais após o consumo de batata doce [*2].

A batata doce tem também propriedades que melhoram a regulação dos níveis de açúcar no sangue, mesmo em pessoas com diabetes do nível 2.

Investigação recente demonstrou que extractos de batata doce podem aumentar significativamente os níveis de adiponectina no sangue em pessoas com a referida condição de saúde. A adiponectina é uma hormona proteica produzida pelas células, que tem como função regular o metabolismo da insulina. Pessoas com problemas nesta regulação orgânica tendem a ter baixos níveis de adiponectina [*3].

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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – Philpott M, Ferguson LR, Gould KS et al. (2009), Anthocyanidin-containing compounds occur in the periderm cell walls of the storage roots of sweet potato, J Plant Physiol. 2009 Jul 1;166(10):1112-7 (LINK)
[*2] – Wang YJ, Zheng YL, Lu J et al. (2010), Purple sweet potato color suppresses lipopolysaccharide-induced acute inflammatory response in mouse brain Neurochem Int. 2010 Feb;56(3):424-30 (LINK)
[*3] – Mei X, Mu TH and Han JJ. (2010) Composition and physicochemical properties of dietary fiber extracted from residues of 10 varieties of sweet potato by a sieving method, J Agric Food Chem. 2010 Jun 23;58(12):7305-10 (LINK)


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Kiwi – Para proteger o organismo

26 de Março de 2012

Contendo mais vitamina C do que uma quantidade equivalente de laranja, o kiwi é comparativamente um fruto pequeno. A sua pele verde é cremosa e a sua consistência significativa; o sabor revigorante lembra morangos, melões e bananas, mas é único e doce. Que benefícios tem este pequeno fruto para a saúde?

O kiwi protege o ADN

O kiwi ainda hoje fascina os investigadores científicos pela sua capacidade de proteger o ADN do núcleo de células humanas dos danos provocados pelo oxigénio. Uma vez que contém uma variedade de flavonóides e carotenóides antioxidantes, estes fitonutrientes do kiwi podem ser responsáveis pela sua capacidade protectora do ADN.

Um estudo que seguiu mais de 18 mil crianças italianas de 6 e 7 anos verificou que aquelas que comeram mais citrinos e kiwi (entre cinco e sete peças de fruta por semana) tiveram 44% menor incidência de asma comparativamente com as crianças que ingeriram a quantidade mínima estabelecida (uma peça). A falta de ar foi reduzida em 32%, a tosse nocturna em 27%, a tosse crónica em 25% e o corrimento nasal em 28% [*1].

Ingerir fruta rica em vitamina C, como o kiwi, pode portanto ter um efeito significativo na protecção do organismo contra os sintomas respiratórios associados à asma, entre outros.

O kiwi é um protector antioxidante

O kiwi é uma excelente fonte de vitamina C. Este nutriente é o primeiro antioxidante solúvel em água do corpo. Neutraliza os radicais livres que podem causar danos às células e levar a problemas como a inflamação e o cancro.

A ingestão de vitamina C é considerada útil para a redução da gravidade de condições como a osteoartrite, a artrite reumatóide e asma, bem como para a prevenção de condições como o cancro do cólon, a arterosclerose e doenças cardíacas de origem diabética.

A investigação demonstra que o consumo de vegetais e frutos com quantidade elevada de vitamina C está associado a um risco reduzido de mortalidade de todas as causas, incluíndo doença cardíaca, derrame cerebral e cancro [*2].

Fibra contida no kiwi regula níveis de açúcar no sangue

O kiwi é uma boa fonte de fibra dietética. Investigadores descobriram que as dietas que contêm muita fibra podem reduzir os níveis elevados de colesterol, que por sua vez tende a diminuir o risco de doença cardíaca. A fibra é também boa para a remoção de toxinas do cólon, o que previne o cancro do cólon.

Além disso, os alimentos ricos em fibras – como o kiwi – mantêm os níveis de açúcar no sangue dos indivíduos diabéticos sob controlo. Os kiwis também são uma excelente fonte de potássio.

O kiwi protege da degeneração macular

Os dados relatados num estudo científico indicam que comer três ou mais porções de fruta por dia pode reduzir o risco de degeneração macular relacionada com a idade – que é a principal causa de perda de visão em idosos – em cerca de 36%, comparativamente com as pessoas que consomem menos de 1,5 porções de frutas diariamente [*3].

Embora, surpreendentemente, a ingestão de vegetais, vitaminas, antioxidantes e carotenos não tenha sido fortemente relacionada com a redução da incidência de degeneração macular, o consumo de frutas foi-o claramente.

Três porções de frutas podem parecer demasiado para o dia-a-dia, mas o kiwi pode ajudar a cumprir esse objectivo. Cortar fatias de kiwi e incluí-las nos cereais matinais, no iogurte, ou em saladas verdes, podem ser soluções a ter em conta. O kiwi também pode decorar qualquer prato de peixe ou saladas de frutas.

O kiwi favorece a saúde cardiovascular

A ingestão de apenas dois kiwis por dia pode reduzir significativamente o risco de vir a ter coágulaos sanguíneos. Pode também reduzir a quantidade de gorduras no sangue, o que ajudará a proteger a saúde cardiovascular.

Ao contrário da aspirina, que também ajuda a reduzir a coagulação do sangue, mas tem efeitos secundários como a inflamação e hemorragias no tracto intestinal, os efeitos do consumo de kiwi são unicamente benéficos.

O kiwi é, como referido anteriormente, uma excelente fonte de vitamina C e potássio, que podem funcionar individualmente ou em conjunto para proteger os vasos sanguíneos e o coração.

Num estudo científico, os voluntários que ingeriram dois ou três kiwis por dia durante 28 dias reduziram o seu nível de plaquetas agregadas (que potencialmente gera a formação de coágulos de sangue) em 18%, comparativamente com os indivíduos que não comeram kiwi. Além disso, o nível de gorduras no sangue caiu 15% em relação ao grupo de controlo (o que não ingeriu kiwi) [*4].

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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – Forastiere F, Pistelli R, Sestini P, et al. (2000), Consumption of fresh fruit rich in vitamin C and wheezing symptoms in children, Thorax;55 (4): pp. 283-8 (LINK)
[*2] – Kurl S, Tuomainen TP, Laukkanen JA et al. (2002), Plasma vitamin C modifies the association between hypertension and risk of stroke Stroke;33(6):1568-73 (LINK)
[*3] – Cho E, Seddon JM, Rosner B, Willett WC, Hankinson SE (2004) Prospective study of intake of fruits, vegetables, vitamins, and carotenoids and risk of age-related maculopathy, Arch Ophthalmol.;122(6):883-92 (LINK)
[*3] – Duttaroy A, Jørgensen A. (2004) Effects of kiwi fruit consumption on platelet aggregation and plasma lipids in healthy human volunteers, Platelets;15(5):287-292 (LINK)


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Vitamina B6 – a vitamina da energia

5 de Março de 2012

O que é a vitamina B6?

Descoberta nos anos 30, a vitamina B6, também conhecida como hidrocloreto de piridoxina, é actualmente uma das mais estudadas de todas as vitaminas do complexo B. Ela está envolvida em mais de 100 reacções enzimáticas.

Funções da vitamina B6

A vitamina B6 é essencial no processo digestivo, transformando os hidratos de carbono, proteínas e gorduras em energia. É também muito importante para o funcionamento correcto dos sistemas nervoso e imunológico. Está também envolvida na síntese de hemoglobina.

Essencial para a síntese de moléculas importantes

É difícil encontrar uma categoria de moléculas do nosso corpo que não dependa de alguma forma da vitamina B6 para a sua produção. Muitos dos blocos básicos das proteínas, os aminoácidos, necessitam de quantidades adequadas de vitamina B6 para a sua síntese. Os ácidos nucleicos, responsáveis pelo armazenamento e transmissão da informação genética, precisam desta vitamina. A vitamina B6 é, assim, uma parte essencial na formação de praticamente todas as novas células do corpo.

Participa no processamento dos hidratos de carbono

O processamento dos hidratos de carbono (açúcares e amido) no nosso corpo depende da disponibilidade de vitamina B6. Esta vitamina facilita a quebra do glicogénio (uma forma especial de amido) armazenado nas células musculares. O glicogénio é essencial para as actividades desportivas, uma vez que proporciona energia para a actividade desportiva.

Quais são os sintomas de deficiência de vitamina B6?

Devido ao seu papel na formação de novas células, a vitamina B6 é especialmente importante para a regeneração dos tecidos do corpo. A pele é um dos destes tecidos e é um dos primeiros a mostrar a deficiência de vitamina B6. Várias desordens de pele foram já associadas à falta de vitamina B6, como o eczema e a dermatite seborreica.

O papel importante da vitamina B6 no sistema nervoso faz com que possam existir episódios de convulsões, depressão, autismo e epilépsia quando existe deficiência desta vitamina. Ela também participa na formação dos glóbulos vermelhos, logo, a sua deficiência pode causar sintomas de anemia, mal-estar e fadiga.

Que factores podem contribuir para a deficiência de vitamina B6?

Para além de dieta insuficiente, o tabaco e o uso de alguns medicamentos podem contribuir para a deficiência de vitamina B6.

Dose diária recomendada de vitamina B6

- 1,4 mg/dia para os homens

- 1,2 mg/dia para as mulheres [*1]

Fontes de vitamina B6

Excelentes fontes de vitamina B6 incluem courgettes, pimentão, nabo, cogumelos, espinafres, alho, couve-flor, mostarda, couves, aspargos, brócolos, acelga, feijão verde, tomate, salmão, atum, fígado de vitela e peru.

Em caso de suplementação, a vitamina B6 costuma ser ingerida em conjunto com o magnésio, dado que a sua biodisponibilidade aumenta com a presença daquela vitamina.

Vitamina B6 em excesso

Se existir um consumo excessivo de vitamina B6 poderão acontecer desequilíbrios no sistema nervoso (formigueiros nas mãos). Ao que os dados disponíveis indicam, estes desequilíbrios só acontecerão se a dose diária de vitamina B6 ultrapassar os 2 gramas diários.

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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – Institute of Medicine. Food and Nutrition Board, Dietary Reference Intakes: Thiamin, Riboflavin, Niacin, Vitamin B6, Folate, Vitamin B12, Pantothenic Acid, Biotin, and Choline, Washington, DC: National Academy Press; 1998, (LINK)


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Que alimentação e suplementos para vegetarianos?

2 de Março de 2012

Pode-se seguir uma dieta vegetariana por motivos culturais, religiosos ou éticos; ou então por motivos de saúde, para prevenir doenças como as cardiovasculares. Seja como for, iniciar uma dieta vegetariana deve ser precedido de uma consulta com um nutricionista.

Ao contrário do que se possa pensar, há vários tipos de dieta vegetariana: a vegana (sem carne, peixe, ovos ou produtos lácteos), a lacto-vegetariana (que exclui carne, peixe e ovos, bem como a comida que os contiver, mas inclui leite, queijo, iogurtes e manteiga), a lacto-ovo vegetariana (que não permite carne e peixe, mas inclui ovos e produtos derivados de animais).

Há também aqueles que seguem uma dieta semivegetariana (ou flexitária), que é baseada sobretudo em plantas mas inclui carne, peixe, ovos e derivados em ocasiões raras e pequenas quantidades.

Como deve alimentar-se um vegetariano?

Algumas deficiências nutricionais podem ocorrer no caso da alimentação vegetariana, particularmente quando o indivíduo decidir tornar-se vegetariano e simplesmente parar de ingerir carne ou derivados animais, sem pensar em substitutos para esses alimentos.

Se nenhum alimento de origem animal for ingerido devem ser tomados suplementos de vitamina B12 ou alimentos ricos nessa vitamina, como o leite de soja. Para além disso, uma grande variedade de produtos pode ser escolhida a partir dos seguintes grupos de alimentos:

- Leite: 500ml (para crianças ou adultos) ou outros produtos derivados como queijo ou um iogurte. Os veganos poderão optar por leite de soja ou tofu;

- Proteína: 1 taça de feijão, nozes, tofu ou outros produtos de soja;

- Cereais: 3 fatias de pão, ou 1 taça e meia de cereais, arroz, massa, outros farináceos, milho , trigo bulghar ou grão de trigo;

- Fruta: 2 ou 3 peças de fruta ou 1 copo e meio de sumo natural;

- Vegetais: 2 a 5 taças de vegetais, cozinhados ou crus, por dia e em variedade suficiente, de modo a incluir verduras e vegetais de outras cores;

- Gorduras: ao contrário do grosso da população, os vegetarianos e veganos ingerem pouca gordura. É por isso desnecessário restringir a quantidade de produtos deste tipo, permitindo-lhes usar as quantidades necessárias de azeite e óleo para cozinhar os produtos com que se alimentam.

Que suplementos deve um vegetariano tomar?

Os vegetarianos que não atinjam as quantidades necessárias dos vários nutrientes na sua alimentação quotidiana devem considerar seriamente a possibilidade de ingerir os seguintes tipos de suplementos:

Vitamina B12

Deficiências de vitamina B12, que não pode ser encontrada facilmente nas plantas, pode ter consequências muito graves na saúde, incluíndo anemia e problemas neurodegenerativos.

Um estudo de 2002 revelou que os níveis de vitamina B12 e ferro de veganos eram piores do que os dos lacto e lacto-ovo vegetarianos [*1]. Uma outra investigação, de 2007, sugeriu que o maior consumo de vitaminas B6, B9 e B12 estão associados com mais reduzida incidência de cancro do pâncreas em pessoas com peso médio ou magras [*2].

Cálcio

É recomendado que os veganos ingiram o equivalente a 3 peças de comida com alto teor de cálcio por dia, como o leite de soja, e tomem também suplementos de cálcio se necessário.

Um estudo publicado em 2007 demonstrou que os veganos têm um risco maior de fracturas ósseas comparativamnete com as pessoas que comem carne e com os vegetarianos – provavelmente devido a ingerirem menos cálcio [*3].

Ácidos gordos

Há vários ácidos ómega-3, mas a maior parte dos vegetais contém apenas ácido alfa-lipóico (ALA). Porém, o corpo humano necessita também de ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosaexaenoico (DHA). Tendo em conta que os níveis de EPA e DHA são nos veganos cerca de 2/3 menores do que os das pessoas omníveras, isto pode gerar-lhes problemas de saúde.

Não se sabe ainda quão grave isto possa ser, mas os veganos são aconselhados a aumentar a sua dose diária de ALA e reduzir a ingestão de ácidos gordos ómega-6 e gorduras saturadas.

Ferro

O ferro está presente na maior parte da comida vegana, incluíndo os grãos, as nozes e as folhas verdes. Ainda assim, o ferro presente nestas fontes é pouco absorvível.

A vitamina C é um potente incrementador dos níveis de ferro no corpo, se bem que haja também outros ácidos orgânicos presentes na fruta e nos vegetais, bem como nos açúcares. Ainda assim, é aconselhável tomar suplementos de ferro.

Proteína

Com três importantes excepções, os vegetarianos praticamente não sofrem o perigo de deficiência proteica. As excepções são dietas muito dependentes em 1) frutas, ou 2) batatas doces, ou ainda 3) junk food (açúcares e gorduras).

Felizmente, poucas pessoas no mundo tentam sobreviver com dietas em que estes produtos sejam a principal fonte de calorias. Nas restantes dietas as pessoas adquirem suficientes calorias, pelo que conseguem obter uma suficiente quantidade de proteína.

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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] - Hermann, W. & Geisel, J. (2002) et. al., Vegetarian lifestyle and monitoring of vitamin B-12 status, Clinica Chimica Acta, Volume 326, 1–2, pp. 47–59 (LINK)
[*2] – Schernhammer, E. et al (2007)et. al., Plasma Folate, Vitamin B6, Vitamin B12, and Homocysteine and Pancreatic Cancer Risk in Four Large Cohorts, Cancer Research, 67; 5553 (LINK)
[*3] – Appleby, P. et al (2007) et. al.Comparative fracture risk in vegetarians and
nonvegetarians in EPIC-Oxford
, European Journal of Clinical Nutrition, 61, pp. 1400–1406 (LINK)


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Dieta mediterrânica: saudável e deliciosa

22 de Fevereiro de 2012

A dieta mediterrânica consiste sobretudo na ingestão de alimentos ricos em hidratos de carbono complexos, fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes. Em contrapartida, é baixa em alimentos com gordura saturada e grande índice calórico.

Contém uma grande abundância de alimentos de origem vegetal (batatas, cereais, legumes, hortaliças, frutos secos e frescos). Também a farinha é de grande importância. Os alimentos ingeridos são frescos e da época, sem processamentos químicos.

Nesta dieta o consumo de ovos, peixe e carne de criação (aves e coelho, sobretudo) é bastante moderado. A ingestão de água é abundante, a fruta fresca é a principal sobremesa e o vinho é consumido moderadamente. Muito importante também é a presença do azeite, como condimento de saladas, peixes ou legumes, mas também para a preparação de molhos.

A dieta mediterrânica pode ajudar a perder peso?

Uma vez que contém pouca gordura animal saturada, e também por ser rica em fibras, vitaminas e minerais, a dieta mediterrânica é compatível com uma boa saúde e auxilia na perda de peso.

A maioria dos planos alimentares para emagrecimento inclui o consumo de vegetais, frutas e grãos integrais, simultaneamente diminuindo o consumo de gorduras e de hidratos de carbono refinados.

Antioxidantes na quantidade certa previnem cancros

Já sa sabia que a dieta mediterrânica está associada a uma menor incidência de vários tipos de cancro e de doenças cardiovasculares, mas um estudo recente, encabeçado pela cientista Maria Paula Marques, descobriu que há compostos antioxidantes que, consumidos em quantidades moderadas, são extremamente benéficos para a prevenção de doenças cardiovasculares [*1].

Os compostos antioxidantes com maior efeito preventivo, entre os estudados, estão presentes no azeite, no vinho tino, em frutos secos (particularmente os vermelhos), legumes e cereais.

No entanto, os cientistas salientam neste estudo que os produtos devem ser consumidos em quantidade moderada, de modo a não terem efeitos nocivos para a saúde.

Dieta mediterrânica ajuda a viver mais anos

Quem segue uma dieta mediterrânica combinada com exercício, não fumando e mantendo um peso saudável, pode viver até mais 15 anos, segundo investigadores [*2].

Os dados, que dão conta de uma redução dramática do risco de falecimento através do seguimento de uma dieta mediterrânica, entre outros factores, refere que esse risco é ainda menor no caso dos mais jovens.

De acordo com o estudo de 10 anos produzido por cientistas holandeses da Universidade de Maastricht, entre os produtos em causa estão os vegetais e as nozes, que têm dos maiores impactos para a redução das taxas de mortalidade.

Dieta mediterrânica reduz factor de risco cardiovascular

A dieta mediterrânica tem comprovadamente efeitos benéficos nos factores de risco cardiovasculares. Num estudo de 2006 foram estudados os efeitos de curto prazo no risco cardiovascular de duas dietas mediterrânicas comparativamente a uma dieta com pouco teor de gordura: uma dieta com azeite e outra com nozes.

O estudo, que contou com 772 indivíduos entre os 55 e os 80 anos, concluiu que as duas dietas mediterrânicas produziram efeitos mais benéficos do que a dieta com pouco teor de gordura, nos seguintes aspectos: níveis de glicose, pressão sanguínea sistólica e rácio de colesterol. A dieta mediterrânica com azeite reduziu os níveis de proteína C-reactiva em 0,54 mg por litro, comparativamente com a dieta com baixo teor de gordura [*3].

Dieta mediterrânica também ajuda a reduzir a apneia do sono

Seguir uma dieta mediterrânica combinada com actividade física pode ajudar a melhorar os sintomas da apneia do sono [*4].

Num estudo publicado recentemente 40 obesos foram divididos em dois grupos. O primeiro grupo de 20 levou a cabo uma dieta prudente, enquanto o segundo grupo seguiu a dieta mediterrânica. Ambos os grupos foram encorajados a praticar exercício físico, baseado em caminhadas de cerca de 30 minutos por dia.

Seis meses depois, os pacientes foram estudados de novo. Os resultados alcançados foram de que os indivíduos que seguiram a dieta mediterrânica passaram a ter menos distúrbios físicos, entre os quais apneia.

A investigação revelou também que pessoas que seguiram uma dieta mediterrânica demonstraram melhor adesão à restrição calórica e intensificaram mais a sua actividade física, perdendo assim mais gordura abdominal do que os indivíduos do outro grupo.

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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – Mediterranean diet could prevent breast and skin cancer, experts say, The Portugal News Online, 11/2/2012 (LINK)
[*2] – Van den Brandt, P. A. (2011) (The impact of a Mediterranean diet and healthy lifestyle on premature mortality in men and women, American Journal of Clinical Nutrition, vol. 94 n.3 pp. 913-920 (LINK)
[*3] - Estruch, R. (2006), Effects of a Mediterranean-Style Diet on Cardiovascular Risk Factors: A Randomized Trial, Annals of Internal Medicine, vol. 145 nº1, pp. 1-11 (LINK)
[*4] - Papandreou, P. et al (2011), Effect of mediterranean diet vs prudent diet combined with physical activity on OSAS: a randomised trial, European Respiratory Journal, Outubro 2011 (LINK)


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Como escolher a dieta ideal para mim?

15 de Fevereiro de 2012

Com o passar dos anos vão surgindo cada vez mais dietas para perda de peso. Mas apenas algumas delas foram cuidadosamente estudadas. Estas incluem dietas parcas em gorduras (como a Ornish e a Pritikin), dietas com poucos hidratos de carbono (Atkins e South Beach) e a dieta mediterrânica. Esta última tem como factor positivo o facto de abarcar muitos benefícios de saúde potenciais.

Mas o que dizem os dados estatísticos e a ciência sobre a eficiência das dietas e como podemos usar essa informação para programar a dieta mais correcta para cada qual?

O que dizem os estudos sobre as dietas?

A realidade é que quando se procura perder peso, o essencial a fazer é cortar nas calorias – e não interessa tanto se essas calorias provêm da carne, do pão ou de vegetais. Um estudo levado a cabo por investigadores de Harvard em 2009 comparou quatro dietas pouco calóricas com 811 adultos: pouca gordura e muita proteína; muita gordura e proteína média; pouca gordura e muita proteína; e pouca gordura e proteína média.

Ainda que todos os participantes tenham perdido cerca de 5,9kg nos primeiros seis meses (uns 7% do seu peso inicial), voltaram a adquiri-lo após um ano. Depois de dois anos, a perda de peso média foi a mesma em todos os grupos [*1].

Outro estudo, anterior, revelou que o que realmente importa é se a pessoa se mantêm fiel a uma dieta. Enquanto grande parte dos sujeitos da investigação abandonaram os respectivos planos de dieta a meio, os que não o fizeram perderam quantidades semelhantes de peso (entre 2,2kg e 3,2 kg) [*2].

Os peritos recomendam que a percentagem das calorias provenientes dos principais nutrientes seja a seguinte: proteína entre 10% e 35%, hidratos de carbono entre 45% e 65%, gordura entre 20% e 35%..

Baixo teor de gordura: fraco sabor, pouca saciedade

Anteriormente a maior estratégia para a perda de peso, a dieta com baixo teor de gordura, foi posta de parte pela dieta de poucos hidratos de carbono (que abordaremos em seguida). As gorduras saudáveis podem mesmo promover a perda de peso, e algumas gorduras são boas para o coração. Eliminá-las da dieta pode causar problemas.

Uma vez que a gordura contém 9 calorias por grama enquanto os hidratos de carbono contêm 4, pode-se teoricamente duplicar a ingestão de comida quando se corta gorduras e se ingere mais hidratos de carbono, especialmente frutos e vegetais. Ainda assim, uma tal dieta tende a ser menos saborosa e saciante do que outras dietas, o que a torna menos apelativa.

Baixo teor de hidratos de carbono: perder peso, mas poder sofrer na saúde

A estratégia de baixo teor de hidratos de carbono é baseada no facto biológico de que comer hidratos de carbono baixa os níveis de açúcar no sangue, o que despoleta o libertar de insulina pelo pâncreas. A teoria vai um pouco além, sugerindo que altos níveis de insulina produzem fome, pelo que pessoas que comem hidratos de carbono ingerem mais calorias e ganham peso.

Este tipo de dietas tende a causar desidratação. Para compensar a falta de hidratos de carbono na dieta, o corpo mobiliza as suas reservas de hidratos de carbono do fígado e dos tecidos musculares. Nesse processo, o corpo também mobiliza água, o que significa que os quilos perdidos são água. O resultado é uma perda rápida de peso, mas após alguns meses a perda de peso tende a ser mais lenta e inverter-se, tal como acontece com outras dietas.

A Associação Americana para o Coração adverte as pessoas contra a dieta Atkins, porque tem um alto teor de gorduras saturadas e de proteína, o que pode afectar o coração, os rins e os ossos. A falta de frutos e vegetais é também problemática, porque ingeri-los tende a baixar o risco de ataques cardíacos, demência e certos cancros.

Dietas mediterrânicas: gorduras saudáveis e muita fruta e vegetais

As dietas mediterrânicas concentram-se em gorduras e hidratos de carbono saudáveis. A gordura saturada e transgénica, bem como o colesterol, são negativos para a saúde. As boas gorduras estão presentes no azeite, peixe e nozes, por exemplo. Este tipo de dietas tende a conter uma quantidade moderada de gordura, mas esta não é saturada. Também tem muitos hidratos de carbono, não refinados e ricos em fibra. Contém ainda frutos e vegetais, sementes e peixe, com quantidades modestas de carne e queijo.

As pessoas que vivem nos países mediterrânicos têm uma taxa de doenças cardíacas reduzida. Mas o estilo de vida da região também inclui muita actividade física, alimentação frequente, vinho e bom suporte social. É difícil saber ao certo qual o peso relativo de cada um destes factores – mas há dados crescentes de que, por si mesma, a dieta pode reduzir o risco cardiovascular e o desenvolvimento de diabetes.

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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – Sacks, F. M. et al(2009), Comparison of Weight-Loss Diets with Different Compositions of Fat, Protein, and Carbohydrates, The New England Journal of Medicine, 360:859-873 (LINK)
[*2] – Dansinger, M. L. et al (2005), Comparison of the Atkins, Ornish, Weight Watchers, and Zone Diets for Weight Loss and Heart Disease Risk Reduction, JAMA, 2005;293(1): pp. 43-53 (LINK)


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Deve-se evitar comer hidratos de carbono à noite?

13 de Fevereiro de 2012

Uma crença popular relativamente à alimentação sustenta que os indivíduos não deveriam ingerir hidratos de carbono depois das 17h/18h porque, por um qualquer processo orgânico, esses nutrientes tendem a fazer engordar mais facilmente a partir dessa hora do que de manhã ou de tarde.

O argumento de quem defende esta tese é de que pouco mais fazemos de noite do que dormir ou estar sentados. Assim, não devemos ingerir hidratos de carbono porque não poderemos queimar essas calorias. Por esse motivo, elas acabarão por ser armazenadas na forma de gordura.

É difícil encontrar evidências metabólicas conclusivas de que os hidratos de carbono ou outros alimentos ingeridos à noite são armazenados como gordura. O metabolismo reduz-se quando dormimos,mas não há qualquer prova científica de que se engorde mais ou menos comendo mais ou menos vezes durante o dia.

Como abaixo demonstramos, não há evidências nem em sentido positivo nem negativo, apenas estudos que, no seu todo, são inconclusivos. Nesse sentido, os hábitos alimentares dos indivíduos não devem ser condicionados pela crença de que não devem ingerir hidratos de carbono à noite.

É melhor ingerir hidratos de carbono à noite…

Um estudo israelita de 2011 colocou 78 indivíduos obesos das forças policiais em teste durante seis meses. Ao grupo experimental foi atribuída uma dieta pouco calórica (20% de proteína, 30%-35% de gordura, 45%-50% de hidratos de carbono – 1300 a 1500 kcal), com hidratos de carbono ingeridos sobretudo ao jantar. O grupo de controlo, por sua vez, consumiu uma dieta semelhante, mas com hidratos de carbono ingeridos ao longo do dia.

Ao contrário do que seria de esperar, seis meses depois foi o grupo que ingeriu hidratos de carbono sobretudo à noite que perdeu mais peso (11,6kg, contra 9,06kg perdidos pelo grupo de controlo) e gordura corporal (6,98% contra 5,13%) [*1].

Por sua vez, outros estudiosos demonstraram que uma maior oxidação de gordura aconteceu num grupo que tomou a maior parte das calorias de noite do que de manhã [*2]. Esses resultados foram depois corroborados num estudo com indivíduos muçulmanos [*3].

… ou durante o dia?

Outra investigação testou os padrões de ingestão: uma refeição maior de manhã ou à noite. Dez mulheres completaram um plano de 12 meses com uma dieta moderada e exercícios regulares. A fase de perda de peso foi dividida em duas fases: nas primeiras seis semanas quatro das mulheres ingeriram 70% da energia de manhã, ao passo que as restantes seis ingeriram 70% ao início da noite. Seis semanas depois trocaram.

A perda de peso e de massa corporal foi superior no padrão matinal. Aqueles que ingeriram calorias durante a noite obtiveram uma maior perda de peso nas primeiras seis semanas, mas não nas segundas. A conclusão dos autores foi de que as refeições matinais causam maior perda de peso, enquanto que as refeições de noite permitem melhor retenção de massa muscular [*4].

Por sua vez, o especialista Rob Faigin refere no seu livro de 2000 Natural Hormonal Enhancement que “os estudos demonstram que alimentar-se logo antes de dormir pode diminuir a libertação da hormona do crescimento. Um maior tempo entre o consumo de hidratos de carbono antes de ir para a cama ajudará a minimizar esse efeito” [*5].

Os estudos subsequentes infirmam a teoria de Faigin, mas no total os resultados científicos permanecem inconclusivos.

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REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – Sofer S, et al (2011), Greater weight loss and hormonal changes after 6 months diet with carbohydrates eaten mostly at dinner, Obesity (Silver Spring). 19(10):2006-14. doi: 10.1038 (LINK)
[*2] – Sensi, S. & Capani, F. (1987), Chronobiological Aspects of Weight Loss in Obesity: Effects of Different Meal Timing Regimens, Chronobiology International, Vol. 4, No. 2 , pp. 251-261 (LINK)
[*3] – Al-Hourani H M & Atoum M F (2007) Body composition, nutrient intake and physical activity patterns in young women during Ramadan, Singapore Med, 48(10): p. 906 (LINK)
[*4] – Keim, N. L. et al (1997), Weight Loss is Greater with Consumption of Large Morning Meals and Fat-Free Mass Is Preserved with Large Evening Meals in Women on a Controlled Weight Reduction Regimen, Journal of Nutrition, vol. 127 n. 1, pp. 75-82 (LINK)
[*5] – Faigin, R. (2000), Natural Hormonal Enhancement, Extique (LINK)


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